Igreja Evangélica Metodista Portuguesa

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I Parte

INTRODUÇÃO 

Cento e vinte e sete anos decorreram já desde que o primeiro pastor metodista chegou à cidade do Porto para organizar Igreja num meio onde já fermentavam correntes diversas de pensamento protestante numa pequena massa de fiéis corajosos e convictos. Das dificuldades, tensões e trabalhos do pioneiro Roberto Moreton, dá boa conta o livro POR ESTE CAMINHO, da pena minuciosa do Rev. Albert Aspey. Aí se presta tributo, justo e merecido, a essa figura sólida de cristão, de evangélico e de metodista, que entre nós lutou e sofreu para instalar uma visão nova do Evangelho, a um tempo entusiasta e reflectida, piedosa e culta, pessoal e comunitária, visão que se tem manifestado em muitas personalidades cristãs metodistas, reveladoras deste curioso equilíbrio e que com ele tanto têm enriquecido e contribuído para o crescimento do evangelismo português.

Agora urge continuarmos a reflectir sobre a melhor maneira de enfrentarmos o presente, que já é futuro, na medida em que o prepara. E a melhor maneira parece-nos ser reflectir sobre o valor da herança que nos coube, avaliando-a à luz dos frutos produzidos no passado e em face das necessidades que o futuro trará. Os bens espirituais de que o Metodismo português é depositário parecem-nos ser do quilate que só uma maturação de muitos anos pode gerar mas que uma vez formados podem explodir, multiplicando-se quase milagrosamente, uma vez encontradas as circunstâncias propícias. O futuro pode trazer essas circunstâncias, precisamos portanto de estar atentos e como escribas sábios tirarmos do nosso tesouro as coisas velhas e as coisas novas de que necessitaremos ao embrenharmo-nos nos caminhos do futuro. Visão, fé e sabedoria são valores muito necessários nesta hora para nós tão significativa.

Em ordem a esta reflexão, parece-nos que nos devemos interrogar: quais têm sido ás linhas mestras do Metodismo no nosso País? Quais as marcas mais distintivas do seu testemunho e acção, no decorrer dos passados cento e vinte sete anos? E, tendo-as achado, perguntamo-nos: serão estas as linhas de testemunho e serviço em que convirá insistir no presente e no futuro? Serão elas espiritualmente válidas e rentáveis no futuro imediato, de certo modo previsível, e nas circunstâncias novas e diferentes que o futuro mais longínquo poderá proporcionar?

 PRIMEIRO O EVANGELHO DA SALVAÇÃO

Remexemos o património. Que descobrimos? Logo salta à vista que o Metodismo veio até nós e entre nós se instalou, primariamente, para anunciar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo como mensagem de Salvação para o homem e para a sociedade. Moreton encontrou uma sociedade tradicionalmente católica, dum Cristianismo fechado e supersticioso, obscurantista, fossilizado em posições doutrinárias medievalescas. Confrontou-o salientando os valores perenes da mensagem da Salvação. Não buscou o efeito fácil, o êxito sem esforço, a demagogia ou a polémica. Não curou de conquistar multidões, mas de formar cristãos, homens novos. Desde então o Metodismo tem continuado fiei a este legado. Sempre tem pregado afirmativamente o Cristo Salvador. Não tem provocado nem procurado a polémica tanto do agrado das massas. Não tem necessitado da denúncia fácil dos erros de outros para crescer e para viver. Tem pregado o Evangelho, confiando em que o poder da própria mensagem actue, desfazendo superstições e renovando as mentes. Sem ambições teologizantes, sempre tem anunciado a sua mensagem em termos de vida e experiência, numa linguagem da fácil comunicação para o povo comum. Feito o balanço, achámo-lo positivo. Não somos muitos, mas hoje e sempre a qualidade tem predominado sobre a quantidade.

Será por isto que o Metodismo é, sem qualquer dúvida, no presente, uma das confissões que mais à vontade se sente nos tempos de desanuviamento entre cristãos, que vão já correndo entre nós? Que sente poder continuar, como sempre tem sido, uma comunidade do essencial da Fé? Cremos que sim. Os tempos novos não nos afectam muito quanto à mensagem a anunciar. O Metodismo em Portugal continuará a ter mensagem, pois sempre procurou anunciar um Cristo vivo que está atento aos problemas do homem e que através da sua Igreja se insere na História renovando o mundo. Enquanto muitos se refugiam num quase obscurantismo, outros recuam ou cristalizam em formas de culto ultrapassadas, outro ainda se couraçam num moralismo legalista anti-evangélico e alguns se envolvem em fumaças teológicas que nada comunicam ao povo, nós pensamos poder continuar na linha duma pregação penetrante, vazada em linguagem comunicativa dos valores do Evangelho e dirigida ao homem todo, corpo e espírito, indivíduo e sociedade. Evangelizar, afirmativamente, anunciando Cristo e suas respostas para os dilemas do tempo presente, eis a missão primordial que temos perante nós. O mandato persiste. A herança encaminha em rumo certo. O futuro estará num presente de fidelidade.

 

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