Igreja Evangélica Metodista Portuguesa

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II Parte

 EDUCAÇÃO DO HOMEM INTEGRAL

Outra linha de força que facilmente se descortina no Metodismo Português é sem dúvida a sua constante preocupação educacional, formadora de caracteres cristãos cultos,,alérgicos ao fanatismo congénito da gente portuguesa. Através de um já longo serviço prestado à comunidade portuense pela actividade pedagógica das Escolas Primárias e pelo testemunho paralelo através das Escolas Dominicais, por muitos anos na vanguarda do ensino cristão em Portugal; da activa participação na criação de instituições atentas ao total desenvolvimento das personalidades, como as Associações Cristãs da Mocidade Masculina e Feminina; da publicação de literatura cristã altamente formativa, como o "Amigo da Infância" e livros diversos; da preocupação em formar sempre um ministério culturalmente válido; e na acção altamente formativa de centenas de leigos que têm exercido verdadeiro apostolado entre ás crianças e a juventude, o Metodismo tem dado uma contribuição muito valiosa para uma visão religiosa na qual a fé e a cultura não se excluam. Esta é uma característica, do Metodismo universal, sempre produtor de personalidades cristãs, e tem sido também nossa na medida das nossas possibilidades.

Pois agora, no presente português, em que assistimos a uma generalização da instrução e a um crescente acesso das pessoas a graus e níveis mais elevados de cultura, tendência, que será necessariamente acentuada no futuro imediato, somos de opinião que também aqui o Metodismo nada tem a lamentar do seu passado, apenas terá que rever meios de serviço e perguntar-se se terá de continuar utilizando as suas energias na direcção tradicional ou de as reorientar para avenidas de serviço mais necessárias e mais frutuosas no tempo presente. Parece-nos que teremos de insistir na educação e formação do nosso povo, dos adultos e dos jovens para uma mais plena formação cristã; de instituir cursos diversos de aprofundamento da mensagem bíblica e sua aplicação à realidade vivida; de insistir na necessidade de uma boa formação dos pregadores leigos; de mostrar por todas as formas que Cristianismo e Cultura, Fé e Razão, Oração e Pensamento não são incompatíveis, antes mutuamente se corrigem e auxiliam. Estas linhas de acção foram nossas no passado e são válidas e necessárias no presente; que não o esqueçamos, já é futuro.

MINISTÉRIO DOS LEIGOS 

O Metodismo, como é sabido, também se caracterizou, desde a sua origem, por abrir ao leigo largas possibilidades de actuação e serviço dentro da comunidade cristã. Foi o Metodismo que deu origem a toda uma nova visão das possibilidades dos cristãos leigos e da sua participação na vida da Igreja, no culto e na pregação. Desde então muitas outras confissões cristãs têm chegado às mesmas conclusões, reconhecendo que toda e qualquer forma de clericalismo está definitivamente ultrapassada e é anti-bíblica. Actualmente o ministério de tempo integral é visto como órgão ao serviço de todo o Povo de Deus, equipando-o para o serviço ao mundo. O sacerdócio de todo o Povo de Deus é a linha do futuro, não apenas doutrinária mas prática também. Aí está a sobrevivência da Igreja. Pois também aqui o Metodismo está como peixe na água. Nada há que lamentar do passado. Centenas de leigos enriqueceram o nosso património espiritual com heróico testemunho e perdurável acção formativa. Gerações houve e há, indelevelmente marcadas pela acção verdadeiramente apostólica de leigos (e leigas!) que têm actuado no nosso meio. No presente, há apenas que insistir na necessidade de aprofundar a formação dos leigos e orientámos para um serviço cristão incisivo não apenas no seio da comunidade eclesial mas sobretudo na sociedade. O leigo é muito útil como cooperador do pastor, e como coluna de comunidades, mas mais necessário ainda é o seu testemunho válido no mundo, como verdadeiro "cristão operário" no meio dos homens. Numa era de secularização como a nossa, esta é a avenida que se abre perante a Igreja e duma maneira especial perante todos os leigos. Todo o serviço à comunidade pode e deve ser serviço de Deus.

AMPARO ESPIRITUAL NA COMUNIDADE

O Metodismo, embora acentue fortemente a necessidade da vivência pessoal da fé, da experiência da salvação, não deixa de também colocar a tónica no valor da integrarão em grupos e na comunidade. O começo do Metodismo ficou para sempre assinalado pelo movimento das classes, pequenos grupos, que sob a orientação dum guia mais experimentado, se reuniam todas as semanas para mútua edificação na fé. Este tipo de vivência está hoje mais actualizado que nunca, e por toda a parte surgem grupos cristãos empenhados em cultivar o espírito comunitário, vivendo em pequenos grupos. Em Portugal, o Metodismo, como aliás todas as demais confissões protestantes, formou pequenas comunidades de crentes, as igrejas locais, onde depois de certo tempo todos se conhecem e amparam espiritualmente. Devido à especial situação de igrejas minoritárias, este tipo de congregação corre muitas vezes o risco de se separar totalmente ou quase da comunidade circunstante mais ampla, da sociedade, e de criar espírito sectarista. O Metodismo parece-nos ser das comunidades portuguesas que mais se tem conservado abertas ao mundo, especialmente devido à sua tendência de serviço social e educativo. O aspecto positivo deste fenómeno sociológico é contudo bem marcante entre nós: pode dizer-se que quase todos os metodistas portugueses se conhecem, constituindo como que uma família vasta. Teremos de velar para este espírito de comunidade não se perca, e antes seja depurado através duma inserção cada vez mais comprometida no serviço à sociedade circunstante. Na medida em que a Igreja aprende a ser Igreja para os outros, sentirá a necessidade da própria coesão, a fim de poder contribuir com algo para o mundo. Num mundo que evolui assustadoramente no caminho da informatização e da globalização, são necessárias comunidades onde as pessoas sejam conhecidas, sintam que são amadas e tratadas como pessoas e não por qualquer outro motivo. O perigo do mundo moderno é a desumanização através duma utilização dos valores humanos como peças da grande engrenagem que é a sociedade de consumo. Sorrir promove vendas, por isso vamos sorrir ao comprador. Mas que valor humano, genuíno, tem esse sorriso? Comunidades onde as pessoas possam ser pessoas, e como tal aceites e compreendidas, serão no futuro uma das maiores necessidades da sociedade.

 

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