Igreja Evangélica Metodista Portuguesa

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

III Parte

 ACÇÃO SOCIAL

A par de uma experiência religiosa vivida conscientemente em comunhão com Cristo e por Ele com Deus, os metodistas em todo o mundo, e em Portugal segundo as suas possibilidades, sempre insistiram em que a sua vivência espiritual da Salvação deve ser acompanhada por acções concretas ao serviço dos mais carecidos da sociedade.

A grande acção pedagógica desenvolvida em mais de cem anos de educação popular foi sempre acompanhada por beneficência e acção social: eram cantinas, era o vestir de numerosas crianças pobres pelo Natal; era o incentivo à poupança pela oferta de uma caderneta bancária com uma primeira conta, era a assistência aos encarcerados, as festas para os ardinas, as excursões proporcionadas a crianças muitas das quais nunca tinham saído do Porto com seus pais, etc.

Após o encerramento das Escolas Primárias, pelas quais passaram milhares de alunos no Porto, a Igreja enveredou por outro tipo de acção social, através de programas voltados para as crianças em idade pré-escolar e para a terceira idade. Creches modelares, como a de Valdozende e a de Mourisca do Vouga, testemunham do carinho pelas crianças e pelos problemas das mães trabalhadoras. Um lar para a Terceira Idade como o que foi criado pelos Metodistas de Aveiro é testemunho eloquente deste espírito de serviço e acção social aberto a todos sem discriminação. A frase "Fazer o bem, sem olhar a quem", pode ser adoptada como divisa dos Metodistas portugueses no seu constante esforço de encarnar o Evangelho no espaço social que os envolve.

ESTENDENDO A MÃO A TODOS

Ao fazermos uma avaliação do Metodismo no passado, não podemos deixar de descobrir uma outra linha constante da sua acção e presença na comunidade cristã protestante: os Metodistas foram sempre gente cooperadora, agentes de entendimento, participando activamente em todos os empreendimentos que iam surgindo no meio evangélico. Lembremos que sempre têm estado presentes em todas as instituições e organismos que têm servido a comunidade evangélica. Na Sociedade Bíblica, na Aliança Evangélica, nos organismos diversos que têm cuidado da educação cristã e publicações para o ensino nas Escolas Dominicais; no Esforço Cristão; nos Lares de Beneficência; no trabalho com os presos, com os ciganos, com os emigrantes e com os leprosos; nas Associações da Mocidade. Nunca se furtam a contribuir para obras e movimentos, mesmo que neles não tenham participação directa, e mesmo nos grandes movimentos cristãos do nosso século, como as Conferências da Paz, o Movimento Ecuménico, etc., estivemos presentes desde o princípio. Talvez esta tendência metodista tenha no fundo contribuído para que numericamente nunca a denominação como tal crescesse a um ritmo acelerado, pois ' os seus obreiros e membros se têm dispersado por muitos outros serviços de interesse para toda a comunidade. Poderão alguns não concordar, mas preferimos o Metodismo assim.

O grão de trigo se não morrer não dá frutos Presentemente é bem evidente que o Metodismo Português está dando uma boa contribuição à propagação do espírito ecuménico entre nós. Sem abandonar os seus princípios, antes em perfeita consonância com eles, o Metodismo em Portugal apresenta-se como uma das Igrejas que pelo seu espírito mais poderá contribuir para a aproximação de todos os cristãos, e ser um dos interlocutores mais válidos tanto para a Igreja Católica Romana como também para os irmãos que não alinham com o movimento ecuménico, com os quais temos afinidades que de modo nenhum gostaríamos de perder. Os caminhos do futuro apontam claramente para uma necessidade de aprofundamento da nossa própria doutrina, para que possamos enriquecer ainda mais a nossa contribuição ao movimento, e para a acção em comum com outras confissões cristãs evangélicas em muitas áreas onde sem dúvida seremos chamados a fazer em conjunto aquilo que sozinha nenhuma Igreja Protestante entre nós poderá fazer. Deveremos embarcar mais e mais em projectos de cooperação prática com outros irmãos, como já vai acontecendo aqui e além, para todos juntos ajudarmos a construir um futuro melhor para Portugal.

No nosso tempo a Igreja é chamada a envolver-se no testemunho social, pois todos os aspectos da vida devem ser abrangidos pela visão cristã. Este imperativo do testemunho cristão dos nossos dias impõe-nos a cooperação. Os problemas põem-se hoje em dia de maneira diferente do passado. É necessário planeamento, estudo técnico e meios de grande envergadura para se fazer face às enormes necessidades do mundo. Só cooperando poderemos corresponder ao que é necessário, associando os nossos meios, nossos talentos e nossa experiência.

O desafio que esteve perante nós metodistas, desde o princípio, foi contribuirmos para a criação dum Portugal mais cristão, mais evangélico. O mesmo desejam todos os cristãos conscientes do nosso tempo. Pois continuemos a enfrentar o desafio, mas agora mais confiantes e mais seguros do êxito, pois o espírito do nosso tempo nos convoca para o esforço unido ao serviço do Senhor e dos homens nossos irmãos.

 

Registo

Registe-se para receber toda a informação actualizada.